Brincar é aprender

Brincar é aprender

Uma das alegrias da infância é poder aproveitar o tempo livre com brincadeiras. Brincar de pega-pega, esconde-esconde, amarelinha e bolinha de gude são algumas das infinitas formas que os pequenos possuem para se divertir. Com o passar dos anos, algumas acabam caindo no esquecimento; outras persistem na memória e vão passando de geração em geração.
Crianças aprendem brincadeiras com seus pais, na escola e, claro, com crianças. Mais do que lazer, brincar é um direito, garantido por lei no Estatuto da Criança e do Adolescente. As brincadeiras na infância são também caminhos para a aprendizagem, essenciais para a descoberta do mundo e podem ajudar na comunicação, no desenvolvimento de habilidades e sociabilidade da criança.

“As brincadeiras são a expressão máxima de vida e de saúde infantil. Brincando, a criança desenvolve a inteligência e a criatividade. Ela aprende a se relacionar, aprende a se colocar no lugar do outro”, explica a psicóloga e pedagoga Elizabeth Monteiro, autora dos livros “Criando filhos em tempos difíceis” e “A culpa é da mãe” (Summus Editorial), entre outros. Elizabeth explica que, brincando, a criança desenvolve sua inteligência emocional e se prepara para a vida adulta. Crianças que não brincam adoecem física e psiquicamente, ficando deprimidas, ansiosas e medrosas. Nesse sentido, o papel dos pais é também brincar com seus filhos. “Pais que brincam com os seus filhos, famílias que interagem com as crianças nas brincadeiras, fortalecem o vínculo afetivo relacional. O resultado disso são filhos mais seguros e confiantes”, afirma a psicóloga. “A criança só aprende aquilo que lhe passa primeiro pelo coração. Portanto, se a relação afetiva acontece em um universo lúdico, o adulto terá ganhado para sempre o coração desse filho”, completa.

RELEMBRE ALGUMAS BRINCADEIRAS DE INFÂNCIA

De acordo com a psicóloga, quando a criança é pequena, ela brinca sozinha. Não existe interação, mesmo se ela estiver com outras crianças. Por volta dos cinco anos, inicia-se a brincadeira com outras crianças, através dos jogos dramáticos como brincadeira de casinha, médico, polícia e bandido, super-heróis, etc. Perto dos seis, sete anos, as crianças continuam com as brincadeiras corporais, mas, dessa vez, com regras: esconde-esconde, queimada e os jogos esportivos. “Todas as brincadeiras são importantes. Tanto para os meninos, como para as meninas. Não existem brinquedos e brincadeiras direcionados só para os meninos ou só para as meninas. Para que o desenvolvimento se dê de uma forma completa e harmônica, é necessário que ambos possam ter acesso a todos os tipos de brinquedos e brincadeiras”, explica Elizabeth.

Brincar é universal, mas existem brincadeiras que trazem também um pouco da cultura de uma sociedade. Há alguns anos, era comum ver crianças brincarem na rua – hoje uma cena cada vez mais difícil. As brincadeiras de rua são geralmente coletivas e quanto mais gente, melhor. A evolução da tecnologia provocou, ao longo dos anos, um impacto na relação das crianças com as brincadeiras. Mas nem tudo ficou só nas “telas”. Conheça – ou relembre – algumas delas e divirta-se.

DAS ANTIGAS...

'ESCRAVOS DE JÓ’

Uma brincadeira que passa de geração em geração, com várias versões, tem uma trilha sonora bem conhecida. Para brincar de “Escravos de Jó” é preciso que os participantes sentem-se em círculo. Cada um deve ter uma pedrinha pequena, que será passada ao amigo do lado no ritmo que a música sugere: passar as pedras para o outro do lado direito; receber o objeto do colega com a mão esquerda; levantar cada um a sua pedra; colocá-la novamente; apontar para as pedras no chão; retornar ao ritmo inicial e voltar a passar a pedra para o outro jogador da direita. Ao final da música, no trecho do “zigue, zigue, zá”, a pedrinha deve ficar na mão direita voltar para esquerda e só passar para o colega na última palavra. A cada rodada da música, o ritmo vai acelerando.

Escravos de Jó jogavam caxangá. Tira, põe, deixa fi car!
Guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá!
Guerreiros com guerreiros fazem zigue, zigue, zá!


‘PULA-CARNIÇA’

Também conhecida como “pula sela”, “mana mula” ou “pula mula”, a brincadeira, geralmente feita no quintal, na rua, ou em um local com muito espaço disponível, é o ato de as crianças saltarem umas sobre as outras. É preciso formar uma fila, para que os participantes, cada um na sua vez, pulem sobre as outras crianças que permaneciam agachadas, apoiando as mãos nas costas do amigo. É possível também inventar jeitos diferentes de pular, quando o primeiro participante faz, todos precisam fazer também. Como pular com uma mão aberta e uma fechada, pular com as pontas dos dedos, etc.

‘ELEFANTE COLORIDO’

Você se lembra da seguinte frase: “Elefante colorido”, “Que cor”? Mais comum para os mais novinhos, era necessário um adulto para comandar a brincadeira e reunir um grupo. Na frente do grupo, ele grita: “Elefante colorido” e os demais respondem “Que cor?” O adulto então fala o nome de uma cor e os pequenos devem sair pelo local procurando algum objeto com a cor mencionada. A brincadeira pode ajudar a estimular a atenção, agilidade e memória da criança.

‘TELEFONE SEM FIO’

As crianças se reúnem - geralmente em círculo - e um dos jogadores precisa inventar uma frase; ele vai dizer essa frase no ouvido do jogador que estiver ao seu lado, apenas uma vez, sem que os outros participantes escutem. Esse, por sua vez, vai passar o que escutou ao colega ao lado e assim por diante. O último que ouvir a frase deve dizê-la em voz alta para todos, assim será possível saber como foi que a frase chegou ao final. Geralmente, a frase do fi nal é muito diferente da primeira, dando a graça da brincadeira.

‘PASSA ANEL’

Para brincar de passa anel, um dos jogadores deve ser o escolhido para passar o anel (ou outro objeto pequeno). Os outros jogadores ficam com as mãos juntas, entreabertas em formato de concha. O passador do anel, também está com as mãos do mesmo jeito, mas com o anel dentro. Ele vai passando a mão dele por dentro da mão de cada participante e escolhe um para deixar o anel, sem que os outros percebam. Depois, ele escolhe um participante para adivinhar com quem que ele deixou o anel.

VEM PRA RUA!

'CABRA CEGA’

Também conhecida como “cobra cega”, um dos participantes deve ficar com os olhos vendados – ele será a cabra cega – e deverá tentar pegar os outros jogares. Aquele que for pego será a nova cabra cega. Além de estar de olhos vendados, ainda é possível fazer a cabra cega girar por alguns segundos, antes de começar a tentar pegar os outros jogadores.

‘PEGA-PEGA’

Essa brincadeira é famosa até hoje e precisa de um lugar com muito espaço para ficar mais divertida. Uma brincadeira coletiva, pega-pega precisa de uma criança para ser o “pegador”, que deverá correr atrás das outras crianças para pegá-las. Aquele que for “capturado” será o pegador e recomeça a brincadeira correndo atrás das outras crianças até “pegar” alguém.

‘QUEIMADA’

Essa brincadeira também pode ser chamada de “baleada”, “mata-mata”, “barra bola”, entre outras. Para brincar, é necessário uma bola e dois “times”. Cada time fica de um lado, em um espaço dividido. O lançador atira a bola em direção aos participantes do time adversário, que, por sua vez, devem tentar segurá-la. Se acertar a bola em alguém o que receber a bolada estará “queimado” e deve ir para a parte de trás do limite do campo adversário e poderá também atacar se a bola cair nesse espaço. Se a bola cair no chão do campo rival antes de
atingir alguém a posse de bola será do rival. Vence quem conseguir “queimar” todos os participantes do time adversário primeiro.

‘VIVO OU MORTO’

Para brincar de vivo ou morto, também conhecido como “morto-vivo”, é preciso que as crianças fiquem em linha reta. Um participante será o líder e deve ficar na frente do grupo. O líder
então grita “Morto!” e todos devem abaixar-se rapidamente. Se o líder disser “Vivo!”, todos precisam ficar em pé novamente. Com o passar do tempo, a brincadeira vai ficando mais rápida. Se alguém confundir algum dos comandos é eliminado do jogo. A sequência das ordens “Vivo!” ou “Morto!” fica a critério do líder, que tem como objetivo confundir os jogadores que prestarem menos atenção.

E OS BRINQUEDOS?

“E é na imaginação que os brinquedos atuam, preparando as pessoas para uma vida toda que virá pela frente. Por meio deles, transpomos barreiras de tempo e espaço. Somos capazes de ser o que sonhamos”, afi rma a escritora Cristina Von em seu livro “A História dos Brinquedos” (Ed. Alegro). Com uma função primordial, os brinquedos se tornaram os companheiros de aventura da criançada. Atuam na imaginação como ferramentas de brincadeiras diversas, para todas as horas. Da bolinha de gude ao Xbox; do peão de madeira aos tablets de última geração, para saber como será no futuro, basta imaginar. Os brinquedos, por sua vez, evoluíram juntos com as inovações tecnológicas, com as mudanças sociais e econômicas da sociedade.

“Os brinquedos evoluíram demais. É importante saber que os brinquedos sofisticados e que fazem tudo, não contribuem para o desenvolvimento da criança. Eles já vêm tão prontos, que a criança logo perde o interesse”, complementa Elizabeth. “As crianças precisam criar, inventar os seus próprios brinquedos. Elas deixaram de ser criadoras do seu próprio universo e passaram a ser consumidoras. Isso é perigoso. Brincar é coisa muito séria!”, alerta.

por Jéssica Amorim
fotos Jéssica Amorim e Shutterstock
ilustrações Designed by Freepik.com

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